O “Frankenstein” moderno da ex-aluna da BYU se torna um best-seller

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Tradução & Áudio por Karol Fialho

Ela girou seu sharpie rosa na página de rosto do seu último livro, “The Dark Descent of Elizabeth Frankenstein”, na assinatura da Barnes & Noble. A escritora do best-seller em Nova York e ex-aluna da BYU, Kiersten White, disse que sempre assina os livros com cores vivas.

Seu romance foi lançado no dia 25 de setembro, estreando em quarto lugar na lista de best-sellers de capa dura do The New York Times.

Este ano foi o 200º aniversário do aclamado clássico “Frankenstein” escrito pela autora de ficção científica Mary Shelley em 1818.

White disse que o trabalho de Shelley a inspirou a escrever seu romance moderno sobre Frankenstein. Na época da sua visita à Barnes & Noble, White estava em uma turnê promocional que atendia leitores de todo o país.

“The Dark Descent of Elizabeth Frankenstein” segue a personagem principal Elizabeth Lavenza, a noiva de Victor Frankenstein, mergulhando na escuridão ao perceber que seu lugar na família Frankenstein depende de manter Victor vivo. Quando Victor desaparece em Ingolstadt e não envia nenhuma carta, Elizabeth sai sozinha na Europa do século XVIII para encontrá-lo e descobrir a verdade.

A versão de Elizabeth, por White, é uma personagem diferente da que foi criada originalmente por Mary Shelley.

De acordo com o Inquires Journal, as personagens femininas de “Frankenstein” são passivas e descartáveis. Ninguém sobrevive no romance. Estes temas antifeministas eram mais comuns quando o livro foi publicado pela primeira vez em 1818. A representação de Elizabeth por White a mostra viajando pela Europa como uma jovem impulsionada por sua necessidade de permanecer viva e trazer seu noivo para casa.

Em homenagem a Shelley, White disse que escreveu o rascunho de “The Dark Descent of Elizabeth Frankenstein” em uma semana. Ela disse que se relaciona bastante com Shelley, já que ambas usaram a escrita para se sustentarem financeiramente e satisfazer suas paixões de contar histórias.

“Eu alimentei minhas ansiedades com histórias”, disse White, esfregando os pulsos doloridos de tantas horas de digitação e assinatura de livros. Ela disse que toma cuidado para não fazer metas que não possa atingir.

Quando White fez sua primeira aula de redação criativa na BYU, ela disse que não estava interessada em fazer outra. Ao invés disso, em seu tempo livre escreveu poesia e publicou uma matéria na revista de fantasia ficção científica da BYU, “Leading Edge”, quando era aluna de graduação.

Ela não planejou transformar a escrita em uma carreira ao longo da vida. Contudo, depois de terminar sua graduação em bacharelado em inglês, se casar e ter um bebê semanas depois de vestir seu capelo e beca, o “bichinho” da escrita começou a se manifestar enquanto cuidava de seu recém-nascido.

White conseguiu acordo de publicação com a Harper Collins em 2008 para seu primeiro trabalho publicado, um romance chamado “Paranormalcy”. Desde então, White publicou 13 trabalhos distintos e vários contos. Ela também tem um próximo romance para jovens adultos chamado “Slayer”, um spin-off do programa de televisão “Buffy the Vampire Slayer”.

Contudo, White disse que seu sucesso na escrita não veio tão fácil. Ela disse que levou três livros não vendidos até que “Paranormalcy” fosse publicado.

“Paranormalcy” é um livro de fantasia cheio de quase todas as criaturas imagináveis, de fadas e vampiros a metamorfos e sereias. O romance vendeu, empurrando a carreira de White como uma autora de fantasia de American Fork, Utah, para uma contadora de histórias criticamente ovacionada.

Esse romance, sobre lobisomens e duendes, é diferente de seu recente romance sobre vilões. Se alguém lesse seus livros em ordem de publicação, eles iriam achar seu estilo cada vez mais sombrio, com temas discutindo abuso, morte e a complexidade da moral.

White disse que necessariamente não planejou embarcar em uma carreira de escritora, mas usa-a para ser dona de casa e para sustentar financeiramente sua família.

“Você precisa ter algo que é apenas seu”, disse ela. “Não há problema em ser um pouco egoísta”.

De acordo com White, escrever livros não só a ajuda a equilibrar os deveres parentais, mas o seu sucesso e dedicação também são exemplos para os filhos à medida que crescem com dois pais que trabalham.

White disse que seu melhor conselho para escritores aspirantes é “obter parceiros críticos – amigos que também estão trabalhando em um livro que pode ter outra visão sobre seu trabalho”. Esses “parceiros de rascunho”, como ela citou, podem manter um escritor motivado e ajudar a criar e impor prazos.

A autora Natalie Whipple é a responsável para dar o prazo final pessoal para White.

“Nos conhecemos há mais de dez anos, no início de 2008, quando éramos aspirantes a escritoras sem representantes”, disse Whipple. “Nós ‘alfabetizamos’ uma para a outra, o que significa que trocamos capítulos conforme elaboramos para encorajar uma a outra a continuar escrevendo. Funciona para nós, embora não seja para todos. A edição detalhada vem depois.”

“Os parceiros de rascunho também fornecem encorajamento e apoio aos escritores”, disse Whipple.

“Às vezes você precisa de uma líder de torcida mais do que uma crítica no início”, disse Whipple. “Isso é o que fazemos. Nós nos impedimos de desistir.

“Enquanto os amigos podem ser cruciais para o processo de escrita, um mestrado em Belas Artes ou diploma em Letras Inglês não é”, disse White.

“Uma boa história nutre e envolve o leitor. Você não precisa de um diploma para fazer isso”, disse ela.

Segundo White, ter uma visão inatingível do sucesso pessoal é um caminho rápido para perder a motivação em uma história. White disse que sua formação em publicação a ensinou sobre estabelecer metas plausíveis e alcançá-las.

A publicação é uma indústria inconstante que se desvanece e se fortalece com as tendências, disse White. De acordo com a The Balance Careers, atualmente, a indústria de jovens adultos está prosperando, mas certos tópicos ou tendências desaparecem rapidamente com um público formado principalmente por adolescentes.

White disse que não há data de expiração na qualidade de alguém escrever. No entanto, isso não significa que um escritor possa permanecer relevante para sempre.

À medida que 2019 se aproxima, o primeiro livro da nova duologia de White, “Slayer”, chega às lojas em 8 de janeiro, com um projeto secreto que estreia no outono.

“Se escrever é uma parte de você, não vai ser fácil”, disse ela. “É exatamente por isso que você deve fazê-lo.”

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